Os jovens, o tênis e as quadras públicas do Recife


Observação:
O seguinte conteúdo foi publicado originalmente no site experimental COM TEXTO ESPORTIVO, no seguinte link, como atividade da disciplina do quinto período “Jornalismo Multimídia Especializado em Esportes (JOR1520)” do curso de Bacharelado em Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP. O trabalho contou com depoimentos de profissionais do tênis que trabalham diretamente e indiretamente nas quadras públicos do Recife.
A reportagem ficou sob a responsabilidade do estudante Petrus Barbosa, sob a editoração de Lucas Holanda.

OS JOVENS, O TÊNIS E AS QUADRAS PÚBLICAS DO RECIFE

Experiências e desejos de profissionais do tênis direcionam a um futuro promissor a crianças e adolescentes da cidade

 

A disponibilidade de espaços públicos para esporte e lazer é uma diretiva comum para os municípios brasileiros, com o intuito de atender a população e, consequentemente, atingir o desenvolvimento de jovens atletas. Na cidade do Recife, diversos instrumentos esportivos estão distribuídos pelos bairros, fornecendo lugares para a prática de modalidades diferentes. Dentre eles, o tênis tem seu espaço, com o intuito de atrair praticantes e futuros atletas profissionais nesta modalidade – não importa a idade.

Aos poucos o tênis coleta sonhos de diversas pessoas, almejando sempre que o Recife e o Brasil se tornem potências neste desporto. Nas instalações públicas da capital pernambucana, professores que cresceram nessa prática desejam uma maior difusão, com a devida profissionalização de seus instrutores, com ensinamentos técnicos e, principalmente, práticos. “O conhecimento acadêmico é preponderante, porém é necessário também ter vivência”, afirma Jorge Monteiro Rocha, professor de tênis há 30 anos e atuando nas quadras públicas da praia do Pina.

Jorge conheceu o esporte quando atuou como boleiro em um clube de tênis no bairro da Boa Viagem, no Recife. Ao coletar as bolas durante as partidas, trabalhou ao lado dos professores da área, levando-o a se interessar pelo ensino, tendo se dedicado a excelência nesta atividade. “Eu penso muito na seguinte frase: conheça todas as teorias, mas ao tocar numa alma humana, sejas tu outra alma humana”, comenta o professor.

Hoje ele dá aulas nas quadras públicas da Avenida Boa Viagem e vê o tênis como uma forma de transformação de adultos e crianças, atendo-se que tal prática deve estar separada de quaisquer interesses que visem apenas o lucro. “Nossas crianças esperam que os homens deste país se lembrem que elas serão adultas amanhã e isso no mínimo poderá ser um peso pra nação. O tênis deveria ser inserido em uma sociedade de uma forma de trazer essas crianças para um desenvolvimento como ser humano”, explica o instrutor.

Muitos professores que atuam nas quadras públicas disponibilizadas pela prefeitura têm formação em Educação Física, estando diversos destes em busca da devida especialização no tênis. Outros, como o professor Davi Barros, atleta que atuou em circuitos internacionais profissionais, utilizam a sua vivência e habilidades empreendedoras para a disseminação do esporte no Recife, trazendo parcerias com instituições sem fins lucrativos da área esportiva para as quadras públicas do município recifense.

O projeto de massificação realizado pelo Instituto Tênis, sediada em São Paulo, já atendeu mais de 30 mil crianças em 20 cidades no Brasil, estando presente também no Recife. Na capital pernambucana o projeto é coordenado por Davi Barros, também gestor do Squash Tennis Center Recife, que contém uma visão ampla sobre a divulgação que o esporte deverá ter. Sob a sua coordenação, o Instituto Tênis fechou parceria com a Prefeitura do Recife, fornecendo professores nas quadras de tênis do Centro Comunitário da Paz – COMPAZ no bairro do Cordeiro, tendo previsão também de atuação nas instalações do Parque Santos Dumont, no bairro da Boa Viagem.

O COMPAZ Ariano Suassuna, localizado no bairro do Cordeiro, possui duas quadras de tênis que oferecem aulas gratuitas a crianças. | Imagem: divulgação Prefeitura do Recife

“No Recife já apresentamos o tênis para mais de três mil crianças, a maioria de escolas públicas, e quem patrocina esse projeto são empresas e empresários apaixonados pelo tênis que acreditam justamente que é o tênis é uma ótima ferramenta de transformação da criança”, afirma Davi, ao falar sobre o processo de massificação coordenado por ele. Além das atividades realizadas nas quadras públicas, nas dependências do Squash Tennis Center também são realizadas aulas gratuitas voltadas para crianças e adolescentes.

Ao expressar seu desejo de desenvolvimento do tênis no ambiente público, Davi pontua a importância do esporte na educação de um jovem como argumento principal para a continuidade de políticas públicas neste sentido, acompanhado com a construção de mais quadras públicas em parceria ou não com o setor privado. “O esporte tem que ser visto pelo setor público como educação, porque o esporte ensina princípios, valores, saber ganhar e perder, sob a observação de um professor capacitado que vai reforçar o que ela precisa aprender pra vida”, explica.

O professor Jorge Monteiro Rocha, por sua vez, que vive e trabalha diariamente nas quadras públicas do município, sente um desejo de maior atenção da Prefeitura quanto a manutenção e construção de novos ambientes de treino, sentindo falta, por parte da administração municipal, um projeto social sério, “de uma forma que as crianças tenham acesso a mais desenvolvimento dentro desses espaços públicos”, sugerindo a busca pela capacitação dos profissionais que trabalham nesses lugares, como exemplo.

Atualmente, conforme as informações coletadas na Secretaria de Esporte e Lazer da Prefeitura do Recife, não há projetos em médio ou longo prazo para que se instale novas quadras de tênis na cidade, tendo no momento apenas em funcionamento as quadras da Avenida Boa Viagem, defronte ao Primeiro Jardim, e as do COMPAZ Escritor Ariano Suassuna. No Parque Santos Dumont, no bairro da Boa Viagem, foram construídas recentemente quadras voltadas para a prática do tênis, porém, constata-se ao visitar o local que, por problemas estruturais e de erros na sua concepção, estas no momento se encontram interditadas, impedindo a expansão deste desporto a novas áreas públicas, pelo menos por enquanto.

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